sexta-feira, 23 de julho de 2010

Asfixia

Nada como uma tortura mental
com um aprisionamento fisico
no tempo e no espaço
de uma vida aprisionada
para sempre.


Nada como o lenço que nos ata os olhos,
tapa a boca,
asfixia o nariz,
paralisa o cérebro
e, com ele,
todos os nossos sonhos,
transformando-os em
pesadelos medonhos.


Nada como as correntes invisiveis que nos atam
e nos impedem de seguir nossas metas.
Nada como estas vozes gritantes
que nos atacam,
insultam e quebram o coração,
levando-o a paragens incertas.


Soando a gemidos e as lágrimas
não deixando as almas quietas,
nem intactas,
gelando o sangue
e afiando as facas.


Nada como a morte em vida
Nada como a prisão sem cárcere anunciado
Nada como estar em si
e fora da sua própria liberdade!


Nada como o constante vigiante
de todas as acções 
nada como quem não desparece
nem dos sonhos,
nem das reais ilusões
tudo acaba. Esfumado:
em enormes frutrações.


Mente, mente, mente...
és minha?
Mesmo tão controlada
que demente estou!
Quanto mais crente era,
com mais enganos me vi
asfixiada.

5 comentários:

Tiago da Bernarda disse...

é estranho como estamos predestinados a ser sempre limitados. eu pensava que era o único que receava isso e é estranho sentir-me, de certo modo, aliviado a ler isto.

Samuel Pimenta disse...

Estar preso na própria pele dói! Mas não seremos nós escravos da própria liberdade? No fundo, basta que nos sintamos livres, essencialmente na mente, por mais oprimidos que sejamos.
Adorei o poema!

Ana Pereira disse...

A liberdade é uma das maiores mentiras da humanidade, mas é também a sensação mais humana.

No entanto, construímos pequenas réstias de liberdade todos os dias. Ela irrompe nos momentos mais inesperados, nas mais pequenas frestas, nos recantos mais inóspitos e também através das nossas mais pequenas escolhas quotidianas. É uma questão de saber saboreá-la, mesmo quando se manifesta humilde.

Gostei muito Susy :)

Anónimo disse...

às vezes sinto o frio das correntes que agrilhoam os meus movimentos. sobretudo os movimentos da alma.

Josephine

portadosol disse...

A nossa mente... a nossa efectiva prisão..que nos condiciona tantas vezes... Escravos de uma sociedade que impõe...que procura moldar-nos a fúteis utopias...mas felizmente existem ainda seres LIVRES... soltos na sua infinita rebeldia que se soltam das correntes e que GRITAM o que pensam.. porque conseguem ver mais longe... sem viver na sombra dos outros... São poucos... mas existem... ;)