sexta-feira, 25 de abril de 2014

Democracia

Corre afogueado o rio do tempo,
que lambe mazelas e alimenta
desastres. Ainda ontem eu lia
Marx, com devoção de neófito,
fugia da polícia com a pressa
dos esganados e jurava mudar
o mundo, mesmo que este, como
aconteceu, não o consentisse. Perdi
a exaltação dos primeiros poemas
(seria simpático se também a inépcia),
amores que, por fortuna quase acertei
e outros, que nasceram desacertados.
Acabei vencido pela descoberta de que
sou, como em oração fúnebre,
a melhor versão do pior de mim.



José Alberto Oliveira

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