domingo, 14 de novembro de 2010

Sonho mudo, mundo de sonhos

(Berndnaut Smilde)

Ás vezes o pior pesadelo é não sonhar
Não ter o que dizer num sonho,
Não saber o que fazer na vida,
Dormir em negro e acordar em branco.

Não sonhar é bem pior...
E tremer ao acordar sem nada,
O pesadelo dá-nos medo,
Mas é um medo de saber,
Medo confortante,
Do que não está a acontecer,
Por isso, fortificante.

Pior mesmo é o sonho em branco, ou em preto, ou sem cor
O sonho sem pessoas, sem vidas, sem amor.

É a folha não escrita,
É o pensamento não explicado
Porque pensamos sempre "é melhor não fazer nada?"
Pois assim matamos o sonho,
Só vagas e confusas memórias ficam...

Nada concreto, 
Nada maior, 
Que nos aqueça a alma,
Que eleve o espírito,
Ao mais alto do céu,
Na busca do sonho meu e teu.

7 comentários:

Raquel Silva disse...

Adorei, Susy :) Realmente andamos muito sonhadoras, nós! E tens razão, mais vale sonhar... às vezes até é tudo o que temos! :) Gostei do poema, devias considerar a possibilidade de escreveres um livro de poesia :D
E obrigada pelo teu comentário, concordo com o que disseste... vamos lá ver se as próximas noites nos oferecem mais algum material para sonhar :D (e agora lembrei-me da música da margem sul :P)
Beijinhos*

SusanaPacheco. disse...

Oh Raquel, agradeço imenso as tuas palavras, são estes comentários de amigos e familiares que me dão forças para continuar sempre a escrever.
Quem sabe um dia não publico um livro?
Esse seria, sem dúvida nenhuma, um dos meus sonhos :) Obrigada e passa sempre por aqui!***

Krahedame disse...

Obrigada pelo comentário, Susana. De facto, é angustiante a indefinição dos sonhos, pois sabemos que eles existem, sabemos que, algures no nosso âmago, eles pulsam, latentes e expectantes. Porém, os sonhos não gritam, nem falam sequer, são feitos de sibilantes sussuros ou de silêncio, até. Assim, não conseguindo fazer chegar até nós, embora dentro de nós alojados, a sua verdadeira essência, os nossos actos não satisfazem nunca a sua ânsia, as acções que, ingenuamente, empreendemos, julgando estar a alimentá-los, não são senão vãs investidas ao alvo errado direccionadas. Assim, subnutridos, constantemente frustrados, os sonhos tendem à deterioração, deixam-se seduzir pela tentadora inexistência, arrastando com eles o ser que, pensando salvá-los, os condenou. Portanto, mais importante que ter sonhos, ou pesadelos, é tal como escreveste, saber que cores os tingem, ou, caso nasçam eles seres monocromáticos, saber de que cores os deveremos, nós próprios, pintar.
Bem, depois deste extenso comentário, espero que tenha já dado para perceber que adorei o poema,quer pela temática, quer pela alma com que, sobre ela, escreveste ^_^

Mj disse...

«Dormir em negro e acordar em branco» - frase genial! És uma verdadeira poeta Susy! xD
Gostei muito da reflexão... e da forma como a escreveste! :)

Beijinho!

Samuel Pimenta disse...

Pior que sonhar em branco ou em preto, é não sonhar!
Belíssimo poema, Susana.
Beijinhos.

Carla Santos disse...

Oh adorei o poema Susana! E gostei da tua perspectiva. Faz-me ver de forma mais positiva a questão dos pesadelos, tendo em conta que ando apanhar com uma dose deles e os malditos não me largam.

Só que mesmo assim, preferia que as minhas noites de sono fossem preenchidos com lindos sonhos a passear pela floresta com um livro na mão e o sol a bater na minha face. A vida já é tão chatinha às vezes quando estamos acordados que podia dar-nos um descanso durante a noite ^^

Beijinhos bella!

Josephine disse...

não posso deixar de repetir a frase melhor deste poema «Dormir em negro e acordar em branco» :) até se podem inverter as coisas da seguinte forma: o dormir em negro corresponde à nossa vida às vezes fechada em si, ensimesmada, sem ver a "luz do dia"; o acordar em branco é a nossa entrada nos sonhos, o "acordar do outro lado", onde a luz nos enche a alma que está vazia de quotidianeidade.
Beijinhos doce Susana,
muitos sonhos :)